O Leão rodeou o mundo inteiro, desafiando os animais da selva lutando, espancando todos eles, saiu vitorioso e foi declarado Rei.

Mas, mediante a essa declaração do respeito e honra que recebera depois que conquistou a vitória, sentiu-se orgulhoso e envaideceu-se. Os fatos narravam que além dos animais que existiam na selva, cujos Leão havia derrotado a todos, ainda havia um do qual os animais davam testemunho ao Leão, dizendo:

– Tu podes até ser o rei da floresta, mas há um em que nele reina a sabedoria, inteligência e poder de transformações na Natureza e no mundo, em que a este tu não podes vencer nem dominar. Dizia a Raposa ousada.

E quem é este, de quem tu me falas assim e outorgas-lhe tudo isso? Perguntou o Leão curioso e convencido.

É o Bicho-homem, que não vive na selva, mas vive em grandes cidades e edifícios, ora em casas de pau-a-pique, que o mesmo constrói com sabedoria e inteligência. Respondeu a Raposa. 

Convencido de que era capaz de desafiar o Bicho-homem, disse o Leão: 

– Eu vou à procura desse tal Bicho-homem para vos provar que eu sou o rei, até capaz de dominar o Bicho-homem e reinar entre eles.

Então lá se foi o Leão à procura do Homem.

Depois de uma longa caminhada de quilômetros, o Leão deparou-se com um garoto e perguntou-lhe logo:

Será que você é o Bicho-homem? 

 

 

Porém, receoso e assustado, o menino respondeu:

Não, senhor. Ainda não sou, mas estou quase para ser ele. Respondeu o garoto.

Receoso, o Leão disse consigo mesmo:

– Não é este que quero, preciso daquele que diga unicamente: “Sim, sou eu!

E lá continuou ele com a sua marcha.

Depois de mais dezenas de quilômetros, o Leão cruzou-se com um senhor já idoso e perguntou-lhe:

– És tu o famoso Bicho-homem que ouço dizer da boca de todos os animais da selva de quem eu sou o rei, mas a ti se atribui honra, glória e poder, enquanto eu domino entre eles? Perguntou o Leão furioso e altivo.

Ainda tranquilo, respondeu o velho calmamente: 

– Não, senhor Leão. A verdade é que eu era, mas já não sou mais.

Ouvindo isso, o Leão retirou-se, dizendo consigo mesmo:

Não é este que eu quero, quero aquele que simplesmente diga: “SIM, eu o Sou!”

 

 

Mais adiante encontra-se com um jovem caçador que estava bebendo água no rio. Disse o Leão consigo mesmo: “Este deve ser o tal de quem eu estou procurando.”

Aproximando-se, saudou o Leão:

– Boa tarde, parceiro!

– Boa tarde, amigo Leão – respondeu o homem -, em que posso lhe ajudar, colega?

Porém bravo e convencido de que haveria de ganhar a competição, perguntou:

 

– Ah! És tu o tal Bicho-homem de quem todos os animais da selva falam perante mim, atribuindo-te honra, glória e poder, enquanto eu domino entre todos eles?

 

Cheio de ousadia, o homem respondeu: 

 

– Sim, eu sou o Bicho-homem! Portanto, o que você quer de mim?

 

– Ahaha, ainda bem! Eras mesmo tu que eu estava procurando. Visto que eu reino entre todos os animais, a minha honra, glória e poder não devem ser atribuídos a outra pessoa. 

– E o que tenho eu a ver com isso, senhor rei da selva? Perguntou o caçador ousado e já bem agachado com o seu rifle nas mãos com o dedinho no gatilho.

 

– Não é outra coisa que aqui me trouxe, parceiro… eu rodeei o mundo inteiro desafiando todos os animais da selva e venci-os todos! No entanto, fui declarado rei. Agora, quando me falaram de outro dominador, eu fiquei pasmado, razão do qual vim desafiar-te para concluir a minha tarefa!

 

– Ah, é mesmo?! Retrucou o homem. Já que assim queres, então vamos a isso, amigo!

O Leão, enraivecido, saltou a uma arvorezinha, preparando-se para atacar o homem, enquanto já o dedo da mão do homem estava bem no gatilho da sua arma. Num instante em que o Leão tenta saltar pronto ao ataque, um disparo alarido saiu do rifle espantando e afugentando as aves e macacos na mata…

PAMMMMMM!

Aterrorizado, deu um pulo do outro lado e, com a pata ferida, fugiu para a floresta, gritando: 

– De hoje em diante, já não posso desafiar o Bicho-homem, pois graças a sua inteligência, conseguiu livrar-se das garras do animal mais poderoso que existe no mundo. Assim, livrou-se e ganhou esta batalha. Digno és tu de honra, poder e glória porque, afinal, nem sempre aquele que é mais forte é o melhor!  Porque, afinal, a inteligência até certo ponto é mais poderosa do que a própria força; mas ficas sabendo que, a partir de agora, tu meu inimigo és, e ai de ti se eu te encontrar indefeso!

Eis aí a razão do qual o Leão ataca o homem quando o encontra indefeso.

 

Texto/autor: Moisés António

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