Ao se falar de folclore, entende-se que a cultura popular esteja no centro das atenções, caracterizando-se, assim, a identidade social de um povo. 

Sabemos, possivelmente, a origem da palavra, que vem do inglês “folk“, povo, e “lore“, tradição, conhecimento. Então folclore é a tradição de um povo, ou seja, seu conhecimento.

E aí vem a pergunta: O folclore no Brasil é visto como algo importante ou é colocado em segundo plano? Mostra a sabedoria do povo brasileiro, belamente miscigenado? E essa miscigenação ajuda para que o folclore seja visto com a beleza, a riqueza e a devida admiração?

Outra questão quanto ao nosso folclore é a pergunta se é de fato triste e até pesado às vezes. Nossa história poderia explicar isso, mas de fato convidamos cada um a pesquisar.

Sem a pretensão de responder, porque respostas podem ser as mais diversas, a real intenção deste material é a de trazer à mente a beleza, a riqueza e, sim, lançar olhar de admiração a alguns pontos do folclore nacional, em algum nível, não de forma a esgotar a informação, mas de pensarmos sobre e até conversarmos a respeito. 

Um pouquinho sobre nosso Folclore:

 

PERSONAGEM

Em foco, o Saci-Pererê: 

O famoso Saci-Pererê, nome de origem Tupi (principalmente), é conhecido em algumas regiões como um ser maléfico que faz travessuras e pode até ser considerado malvado com os animais por dar nó e trançar seus pelos. Como ele não consegue se defender, deve ser lembrado que ele também é conhecido por um enorme conhecimento sobre as plantas e ervas e acaba sendo um protetor das matas, porque dizem que confunde as pessoas que coletam ervas sem autorização. Encerrando, lembremos que ele nasce do broto de bambu, planta de mil e uma utilidades. Como todo conhecimento popular, ele tem origem indígena, traduzida por seu nome, características dos negros e um gorro que pode ter vindo das lendas portuguesas através de Trasgo.

 

FESTA

A devoção da Folia de Reis:

É uma celebração do ciclo natalino que na região Sudeste pode ser mais apreciada. Sua origem é dita como sendo portuguesa, com base no Dia dos Reis Magos.

Os participantes celebram o nascimento de Jesus Cristo e a visita que lhe fizeram os Três Reis Magos entre 24 de dezembro e 6 de janeiro (dia dos Reis Magos). Dessa forma, as Companhias de Reis visitam as casas da redondeza. É dito que a visita é para se conseguir donativos para a realização da festa, no dia 6 de janeiro, quando levam consigo a bandeira dos Santos Reis. Ao se aceitar a visita, a casa e seus moradores são abençoados pelos Santos Reis. Após a peregrinação, os participantes retornam para seu ponto de origem, onde encerram a Folia em grande festa. Tudo é feito com cânticos de louvor a Deus, a Jesus e aos Santos Reis ao som de violas, violão, cavaquinho, pandeiros, entre outros.

 

TRABALHO LEVADO A SÉRIO

Artesanato, um Bem Precioso:

O artesanato traz consigo o fazer manual que pode ser feito a partir de matéria-prima natural. Pode ser um ofício passado de geração para geração dentro da cultura popular ou até importado de costumes ou técnicas estrangeiras, como o famoso biscuit. O fato é que o artesanato pode ser feito dentro de sua própria casa, em uma pequena oficina – e por que não em uma oca? Tal técnica é praticada desde o período antigo, denominado Neolítico, com as famosas armas e objetos de caça polidos, além das cerâmicas para guardar alimentos e tecelagem para as redes, roupas, enfim, agasalhos.

Contudo, com a Revolução Industrial, o artesanato teve uma queda; e com o advento do comércio da China, a vida de quem vive de artesanato ficou difícil, sendo este relegado ao status de subemprego, sem deixar de enfeitar, alegrar e dar o tom da família em uma casa.

Algo do passado ou atual? Preferimos achar que atualíssimo por conta de uma revalorização ao mais natural; e com a pandemia, algumas questões têm sido repensadas finalmente. Que isso seja o sopro de bons ventos para o artesanato e para a vida daqueles(as) que resgatam a cultura de um povo, dando-lhe um novo olhar.

 

NOSSAS CONSIDERAÇÕES FINAIS?

Que as mãos qualificadas de um artesão e uma artesã sejam valorizadas gerando uma economia justa e sustentável!

Que as tradições de nosso povo possam atravessar o tempo, como é peculiar à cultura, sendo bem adaptadas, valorizadas, tornando-se “boas contadoras” de nossa história!

 

Texto: Tess Villa

Instagram: @telmatess

Área de Atuação: Educação

Foto: Pexels

Projeto Editorial: Tess Villa