Mas de onde veio isto? 

A ONU (Organização das Nações Unidas), no fim de 2007, definiu todo 2 de abril como sendo o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Nesta comemoração, cartões postais de todo o mundo se iluminaram para chamar a atenção da mídia e da sociedade para o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Mas o quanto isto mudou de fato a questão do(a) autista e suas famílias? 

Sem o objetivo de tornar este texto jornalístico, mas que ajude com uma reflexão, a pergunta se volta para aquele(a) que o lê, de forma despretensiosa, mas meditativa: o quanto você sabe sobre o autismo? O que pensa e ou sente quando está perto de uma pessoa com TEA? Consegue reconhecê-lo(a)? Consegue lidar com ele(a) de maneira satisfatória e positiva para ambos(as)? 

Poderíamos ficar aqui com vários questionamentos, mas, dependendo de suas respostas, que são suas de fato, pode-se criar um parâmetro, mais pessoal do que estatístico, e nisto vou me incluir.

Eu, educadora por principal formação e tempo de trabalho, devo dizer que pouco tive contato com alunos e alunas autistas diagnosticados(as). Mas, a partir de experiências bem próximas a mim, vivencio a questão e percebo um universo que se abre: como somos diferentes uns dos outros. Quantas particularidades temos, como somos diversos dentro de algo único: somos todos e todas seres humanos. 

Aqui um adendo na questão humana, para quem acredita que partimos de Algo em comum, uma Força, uma Energia, Deus, chame do jeito que sentir-se melhor, mas se você acredita nesta Força geradora, acredita também que todos, sem exceção, saímos Dela. Dessa maneira, com um portador de TEA não pode ser diferente, não é verdade? Vamos um pouquinho além? Isto, então, de sermos iguais em Essência, por termos a mesma Origem, diz bem no secreto de nossos corações, que qualquer pessoa que tenha uma diferença do que seja considerado “típico” é igualzinho(a) a mim em Essência, com suas particularidades, como eu tenho as minhas. Pronto! É simples assim. Desta forma, como lidar comigo pode ser difícil para alguns (risos aqui), lidar com aqueles que tenham particularidades, diferenças maiores no que diz respeito ao físico, ao neurológico, me deixa compreender que preciso entender e aprender a lidar com esta pessoa – sim pessoa igualzinho(a) a mim – assim como preciso que me entendam e até que compreendam minha forma de atuar neste mundo. Todos(as) nós queremos ser incluídos(as), amados(as), e, mesmo que bem no fundo, queremos que tentem nos entender e queiram aprender a lidar conosco. Deste modo podemos exercitar isso se esta ainda não for nossa prática: incluir, como queremos estar inclusos.

Vamos voltar à questão do autismo? Se é leve ou não (alguns profissionais defendem que não existe autismo leve, mas avancemos e isto pode ser pauta para outro momento), o que importa realmente? O exercício de sermos iguais em Essência, sem tapinhas nas costas, nem piedade, pois isto está totalmente fora da inclusão. Precisamos nós os “típicos” neurologicamente falando – até ser inventado outro termo – nos incluirmos nessa forma de atuar no mundo, onde todos e todas têm direitos e devem ser respeitados. Dobro as aspas para os(as) “”típicos(as)””, pois cada pessoa com sua mania, com sua questão não é mesmo? Porém com este tema também não é pauta para esta conversa, deixemos para um momento mais oportuno.

O que vale neste momento é lembrarmos que em abril comemorou-se o Dia Mundial de Conscientização do Autismo e aqui fica o convite: vamos entender sobre, vamos naturalizar o olhar para os(as) autistas, vamos nos incluir na questão e em suas causas pois assim este dia de comemoração vai ter seu motivo verdadeiramente válido, pois, afinal, somo todos(as) seres humanos.

Texto Tess Villa

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Projeto editorial: Tess Villa