NOSSAS ELEIÇÕES: O (A) DOCENTE GANHOU EM APLAUSOS

 

Antes de tudo, é importante lembrar sobre o Dia do Professor e da Professora, que acontece no dia 15 de outubro, não é o dia de eleições em nosso país. Esta data surgiu lá atrás em nossa linha do tempo de história da Educação por conta do imperador D. Pedro I ter instituído um decreto que criou o Ensino Elementar no Brasil.

 

Desde já, levanta-se o ponto para averiguação daqueles que gostam de Educação com relação às bases sobre as quais ela foi colocada em nossa nação, ponto este que nos abstemos neste momento.

 

Contudo, quem não tem em mente um professor querido ou o gênero feminino e amável deste profissional. Tudo bem se esse ou essa docente não foi tão bom ou tão boa assim… e daqui pra frente, vamos adotar em um português há muito tempo usado, o gênero masculino para o referido profissional. Mas voltando à discussão anterior, se não tivemos bons professores que aquecem nossa lembrança, temos, certamente, um excelente professor, rígido, porém eficiente no que faz ou no que fez.

 

Bem como bom, podemos ter tido aquele professor excêntrico, diferente, divertido e que, tal qual um artista, dando tudo de si, nos fez aprender, apesar dos valores baixos com os quais possivelmente teve a retribuição de todo seu esforço. Eu tive alguns também, mas cada um com uma singularidade, o que faz com que tenham enriquecido tremendamente minha vida e muitas das vezes não apenas com suas matérias.

 

À primeira vista, vejo entrando pela sala a professora Eliane, de Literatura Europeia, Americana, Tradução, entre outras disciplinas que deixavam-me, se assim posso dizer, com água na boca. Mas como mal tinha o tempo para fazer as disciplinas que precisava para terminar o curso, incluindo a grade das optativas necessárias, ficava mesmo era babando – e de fato dava conta justa das demandas necessárias.

 

Professora excelente em conhecimento e em sintonizar seus discentes com a realidade: perguntava constantemente o que seus alunos estavam fazendo ali, já que não levavam o que precisavam para a aula. E continuava… “Com milagre, a professora precisa ganhar 3 vezes mais!”, “professora e prostituta, a diferença é que a prostituta às vezes pode escolher seu cliente, mas a professora não”. Então, doía? Sim… mas na auto-observação caladinha percebia que ela tinha razão.

 

Durona, muito, mas era maravilhosa em conhecimento e também muito humana, apesar de alguns não acharem. Ela me levou a avançar e quase fez meu parto, pelo menos acho que era isso que ela pensava ao me ver entrar na sala de aula às vésperas de ter minha filha. Com olhos arregalados, dizia não estar preparada para fazer partos, até porque sua opção de gênero era o masculino e, segundo ela, “colocava-se muito mais distante da maternidade, se tivesse filhos seria pai e não mãe”. Palavras suas, que me levavam ao riso, seu jeito de fazer humor, porém sim, uma pessoa admirável.

 

Outro exemplo era minha professora de inglês de Ensino Médio. Naquela época, Segundo Grau. Se um professor pode ser uma figura de álbum de figurinhas, aquela do tipo difícil de achar e que todos querem ter, era ela: sra. Alcântara. Ela cantava, dançava, representava e ainda tinha escolhido um livro muito bacana. Se já gostava de idiomas, inglês especificamente, foi com ela que firmei esse gosto. Ela e suas músicas – e até que cantava bem. É… parando para pensar, ela me inspirou em minha profissão de anos com seu jeito diferente de dar aulas.

 

Charles, outro professor, norte-americano, de Psicologia Educacional. Como minhas aulas acadêmicas eram em inglês, seu sotaque de New Jersey não era difícil. E nos perguntava sobre o porquê da psicologia ser aplicada na educação; pelo simples motivo, dizia, que lidamos com gente. Se animais têm seus aspectos psicológicos e plantas também, o que dirá esse complicado ser humano. Ele me levava a pensar bastante sobre a profissão e a seriedade do ofício.

 

Todavia, também vieram professores que, com seus problemas psicológicos, não nos alcançavam, fosse por insatisfação, fosse por vícios, medos, enfim…; hoje entendo que, no fundo, o lado humano fala alto, principalmente quando, ainda lembrando de Charles, lidamos com seres humanos e somos humanos. Com tudo que isso acarreta, com entes queridos que se vão ou ficam doentes, expondo-se com alunos quando é dito que em pandemia precisam voltar às aulas e quando a equação das horas de trabalho antes, durante e depois da aula + o salário que se recebe não é = as contas para pagar.

 

Neste momento, vamos recordar o ano de 2020. Algo nos chega assim de repente e pode matar, uma tal de pandemia que não se entende direito o que é. Algo invisível, desconhecido. Se dar e assistir aula já é difícil presencialmente, nas suas variadas situações que envolvem os dois lados, professor e aluno, imagina então à distância! Nada de pegar o lápis, nada de mostrar com a caneta, nada de fazer setas, muito menos de olhar nos olhos e sentir a energia do outro. Atenção ao que o professor diz? No virtual fica muito mais difícil, já que a concentração parece ser um ingrediente que tem faltado nessa geração virtual. Tem um mundo inteiro interessante à disposição para desviar os sentidos do aluno. E como se ensina? Tateando, sofrendo, amando, errando, tentando acertar… Talvez seja assim.

 

Dessa forma, encerro esta mistura de desabafo e lembranças, com muito agradecimento por tudo que esses profissionais fizeram e fazem, porque mesmo que se tenha um sistema educação domiciliar (homeschooling), alguém ajuda na aquisição de conhecimento, alguém deslumbra aquele que está a sua frente com um lápis que faz mágica sobre um papel, com rabiscos que são decifrados e viram palavras que levam à leitura de mundo! Ou seja, todos passamos por um professor querido, uma professora amada, mas também passamos por aquele linha-dura ou até aquele fora si – fazer o que por isso?…Possivelmente, ainda agradecer, porque mesmo assim pode ter sido aprendizado.

 

Então gratidão, docentes. Vocês são heróis e heroínas do silêncio da reflexão que a profissão exige. E ouso dizer que apenas um dia é pouco para tudo o que fazem. Desejo 365 dias de felicidades para  vocês!

Texto/autora: Tess Villa 

Facebook: Tess Villa

Área de Atuação: Educadora, escritora e contador de história

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Projeto Editorial: Tess Villa