Inicialmente, podemos entender o porquê do Dia do Estudante, pois 11 de agosto foi quando o curso de Direito, o primeiro superior no Brasil, foi autorizado por D. Pedro I. Tendo em vista que a educação é dita como sendo um direito dos cidadãos, em 1927 esta data ultrapassa as fronteiras do Direito e passa a ser o dia de todo e toda estudante.

Longe de ser o fim dessa história, nesta mesma data, mas já em 1937, foi criada a UNE (União Nacional dos Estudantes), participante de movimentos populares como “Diretas Já” e do impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello.

Agora que a aula de história acabou, vamos dar um salto na linha do tempo:

No 19 de março de 2020, as aulas presenciais são suspensas como medida de prevenção ao Novo Coronavírus. Escolas e cursos superiores que estavam longe da realidade on-line tiveram que se adaptar – ou tentar – na urgência da situação. E os estudantes? Também.

Com o advento dos jogos virtuais, crianças ainda que pequenas, adolescentes e até adultos conseguem viver mergulhados na telinha totalmente absorvidos. Pode-se dizer até que é fácil ficar colado nas telas. Entretanto, o difícil é ficar colado nas telas para ter aula, sem ter o contato com os demais de sua idade, nem o mais complicado dos seres humanos que poderia ser seu/sua colega de classe. E se a fala do(a) professor(a) já poderia dar sono antes, o que dizer quando o docente está a quilômetros de distância? Se a mente não aquieta presencialmente, como fazer ela prestar atenção quando você pode silenciar microfone, fechar câmera, pular pra outro canto na web, ficar sem internet e não voltar tão cedo ou ainda fazer do screen share do zoom um joguinho, que em outros momentos não teria a menor graça, mas diante de um(a) docente dando aula, vira uma fuga fantástica – um adendo: o(a)  pobre do(a) professor(a) também está perdido nesse universo chamado quarentena e ainda estendemos esse surto de achar-se perdido aos responsáveis. Mas voltemos aos estudantes porque, afinal, os professores já têm seu dia, e mãe e pai também.

 

O fato é que dia 11 de agosto é dia dos estudantes, e eles merecem nossos aplausos, porque não é fácil ser estudante em um país onde a educação do século 21 ainda não entrou nas escolas, onde ficam por trás de grades: curriculares, horárias. Ademais, um país que está vivendo sob a pressão da pandemia, o estudo pela internet, que em outros momentos fora visto com maus olhos e agora como a salvação. Como estudar on-line com lacunas tão grandes quando ninguém foi preparado para isso?

E ainda temos a questão psicológica, com a perda do contato com os amigos, a turma, a integração que para os menores é muito relevante.

Então este dia 11 de agosto é mais um dia nas vidas de tantos alunos e alunas que, bravamente, têm passado por essa quarentena, sendo personagens desse momento histórico, esse drama que vivemos. 

O que virá a partir disso não sabemos, mas vibramos para que esses estudantes levem consigo o ensinamento de superação, porque isso faz parte da vida de um estudante normalmente, mas em momento de pandemia, quem tem mais likes é rei e rainha, e quem consegue ficar na frente das telas sem ter optado por isso e ainda assim consegue aprender, de fato, merece nossos aplausos.

 

Texto: Tess Villa

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Área de Atuação: Educação

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Projeto Editorial: Tess Villa