No 3, conto outra vez!

Era uma vez… dois irmãos: Amanda e Bernardo. Eles viviam com seus pais e o seu avô em uma casa simples, mas repleta de respeito, carinho e amizade. A avó já tinha partido para as estrelas.

Ali perto de casa havia um parque.

Tinha também uma Doutora em botânica… Ela estava animada por ter encontrado uma árvore raríssima.

– Que maravilha! Encontrei uma muda desta planta e logo aqui! Tão pequenininha… um bebezinho. Vou voltar ao laboratório e pegar material para colher esta amostra melhor. Mas… Ah, já sei! Vou colocar meu chapéu aqui, e esta pedra vai ajudar para não ser levado pelo vento.

E assim a Doutora Sandra foi quase saltitante quando, pera, vejam! Amanda e Bernardo estão chegando no parque brincando, quando:

– Epa, ai que pedra! – grita Bernardo.

– Mas é sem jeito, viu! E ainda dizem que irmão mais velho sabe das coisas.

– Que engraçadinha! Mais respeito, menina. Olhe, um chapéu! 

– Ah, que lindo! – falou Amanda com entusiasmo de criança.

– Amanda, é só um chapéu.

– Mas tem uma pena e uma pedra pendurados.

– Parece o chapéu da Dona Ida sem volta.

– Que feio! Fazendo graça com o nome dos outros e ainda uma senhora. Mamãe sempre diz que devemos fazer com outros aquilo que queremos receber do universo.

 

Bernardo ficou sem jeito com a observação de sua irmã, pois sua mãe sempre disse a eles que precisavam respeitar como queriam ser respeitados…

– Eu só estava…

– Bernardo, deve ser mesmo o chapéu de Dona Ida.

– Podemos levar o chapéu pra ela – continuou a irmã animada.

– Ah tá, Amanda. Legal! Nada feito! Preciso ir logo pra casa, tenho mais o que fazer.

– Hum, sei, vai ficar de joguinho. Sei, sei. Mas Dona Ida faz uns biscoitos maravilhosos, e além de fazermos uma boa ação, ainda podemos ganhar uns biscoitinhos.

Amanda sabia bem como ganhar o irmão.

– Mas, pensando bem, até que é muito importante devolver o chapéu de Dona Ida sem v… da Dona Ida.

E lá se foram os dois, até que…

– Dona Ida! Dona Ida! – Bernardo encheu os pulmões… Dooonnnaaaa Iiiiidaaaaa!

– Ahhhh, quem me grita? Desse jeito vou ficar surda. Ah, são vocês! O que essas crianças tão lindas querem comigo?

– Dona Ida, encontramos este chapéu no parque e gostaríamos de saber se ele é da senhora – Amanda começou.

– Ah, muito legal vocês terem se lembrado de mim, mas não quero comprar este chapéu, não.

– Comprar? – perguntou Amanda. Ele então não é seu?

– Isso! Deve ser do Amadeu, o rapaz da mecânica.

Mas logo desistiram porque o Amadeu não deixava sua oficina.  E Dona Ida sentindo-se animada:

– Meninos, pode ser da Cidinha. Isso, da Cidinha mesmo!

– Cidinha adora ir ao parque. Pode realmente ser dela!

– Ah, a tigela, depois vocês trazem.

 

Os meninos se olharam e seguraram o riso, pois sabiam que não seriam nada gentis rindo. Agradeceram e, ao se virar rapidamente, perderam-se nos risos, mas risos de felicidade por terem visto o pote de biscoitinhos da Dona Ida e…rumo à casa da Cidinha!

E lá foram os irmãos. Mas, no meio do caminho, duas pessoas chegavam no parque. Os dois se colocaram atrás da barraca de cachorro-quente.

– Excelente ideia, Maurício! Um cachorro-quente, por favor – disse o mais alto e mais corpulento.

– Peixe morre pela boca. Agora, não, Leandro! Quer acabar com nossa missão? – repreendeu o mais baixo e bem magrinho.

– Hehe, missão de ficar espionando os outros.

– Fica quieto, coisa! Só sabe comer, é?

– E vê como fala! Isso é bullying.

Maurício fez “xiii” com o gesto porque Doutora Sandra entrou no parque e já de longe percebeu que seu chapéu não estava onde tinha deixado.

– Mas o que será que aconteceu? Eu podia jurar que tinha deixado por ali… – e nisso ela coloca os olhos em direção aos homens, os dois que se escondiam atrás de uma bancada abandonada perto de um quiosque de lanches.

Maurício se abaixa enquanto Leandro se levanta e dá tchauzinho. 

– Você enlouqueceu? – Maurício diz enquanto puxa o amigo. Dando tchau pra ela? Já esqueceu que ela nos conhece?

– Claro que não. Admiro muito a Doutora. Sandra – disse Leandro.

– Admira? Você tem que admirar nosso chefe, isso sim!

– Admiro, não. Vive espionando porque não consegue fazer igual, nem melhor que ela.

– Vou fazer de conta que não ouvi isso.

Depois de procurar que nem louca seu chapéu, a Doutora se aproxima do quiosque e pede um suco.

– Sim, Doutora. O de sempre? – Perguntou Raimundo, dono do quiosque.

Nesse momento, Maurício gelou, porque Sandra estava bem perto deles. E Leandro até quis que ela os achasse, pois assim terminaria logo aquela missão.

– Sim, por favor – respondeu Sandra. Raimundo?

– Sim, Doutora.?

– Você reparou se alguém pegou um chapéu?

– Um chapéu bege?

– Sim!

 -Com as siglas de onde a Doutora trabalha?

– Sim, isso mesmo!

– Que a Doutora perdeu hoje?

 – Isso mesmo, você viu???

Sandra estava ficando animada, quando…

– Não, não sei de nada. Mas é que sempre vejo a Senhora com o chapéu, e agora não está. 

– Ah, tá! (Desanimada)

– E hoje também vieram dois homens, um deles perguntando pela Doutora.

E levantando de súbito, Leandro tentou se explicar:

Eu não perguntei por ela, é que… (O outro não sabia onde se enfiava.)

– Você aqui?! – disse Sandra. Pelo jeito que só andam grudados, o…

E Leandro puxando Maurício pela camisa:

– Está aqui, sim. Ela quer falar com nós dois.

– Oi, Doutora! – Maurício com a cara que parecia ter passado óleo de peroba.

E falando entre os dentes:

– Não sei porque o Doutor Smith te paga pra trabalhar.

– E por falar nele, ele deve ter pago pra vocês pegarem…

– Exatamente! – disse Leandro, seguido de uma cotovelada de Maurício.

– E vocês pegaram?

– Sim.

 – Aiiii, devolvam, seus ladrões! – disse Sandra. Eu não consigo trabalhar em paz!

– Não tem como devolver, Doutora. Já saiu no xixi – disse Leandro meio sem jeito.

– Hein? – Sandra se espantou confusa.

E Leandro, vendo a confusão, explicou que bebeu um suco que ela havia deixado para trás no quiosque, porque já estava pago mesmo. 

– Então foi isso que vocês acharam? Nada mais? – perguntou com um sorriso largo, a bióloga.

De repente, chegam as crianças no parque:

– Realmente é melhor devolvermos o chapéu pro lugar onde o achamos, Bernardo. Mamãe sempre nos ensinou a não pegarmos nada que não seja nosso. Vamos!

Amanda virou-se num repente, correndo em direção ao lugar onde achou o chapéu, como se ele fosse um bumerangue.

Sua avó sempre dizia: “Vibre no bem sem hesitar, porque também sem hesitar ele retornará tal qual um bumerangue, como os que o avô de vocês faz.”

E no quiosque:

– Doutora?

– Sim, Raimundo.

– Sobre o chapéu da Doutora… o bege… 

– Ah, já sei que você não o viu… – disse a bióloga desanimada

– Ele está com os meninos ali.

– O quê??? Disse Sandra em um salto.

Assim que Sandra os avistou, foi correndo atrás dos irmãos, e os dois espiões também.

– O que vocês estão fazendo com o meu chapéu?

– O quê? Como podemos saber que é teu? – falou Bernardo pulando pra trás com o chapéu escondido e Amanda escondida atrás dele.

– Eu o deixei aqui hoje bem cedo.

 

E a Doutora prosseguiu dizendo que no chapéu tinha seu nome – e tinha. E que dentro tinha o nome da empresa na qual ela trabalhava. E tinha!

– NÓS o deixamos aqui hoje bem cedo – disse Maurício, com meio palmo de língua para fora e tentando repetir o que Sandra dissera como se fosse um eco.

Bernardo olhou para Amanda confuso…e se Maurício estivesse falando a verdade? E se a Doutora fosse a verdadeira vilã?

 

Mas vejam só, que com tanta dúvida de Bernardo… ah! Num pó de perlimpimpim essa história por agora chega ao fim!