Recentemente o dia do cliente esteve em alta, porém vem a dúvida de um pouco de reflexão sem querer sequer esbarrar em mimimismos ou querer estar politicamente correto, tendo em vista que este termo pode remeter à censura e constrangimento e, definitivamente, estes não são nossos objetivos.

Voltando, então, a um alinhamento com o bem-estar, um modo de vida de maior tranquilidade entre a pessoa e seu travesseiro: seria o consumo consciente um dia  para abraçar, promover mudança, ou para incentivar maior consumo em um planeta que pede mudanças comportamentais urgentes quanto ao uso de seus recursos? 

É visível e sentido na pele que o mundo está atravessando caminhos cada vez mais difíceis. A tão sonhada paz que vem de uma sensação de bem-estar está mais e mais afastada do momento da pessoa descansar com seu travesseiro, dando lugar a fantasmas de medo e insegurança. Intressante observar que em setembro temos campanha que alerta sobre o suicídio, fato que veio a partir de uma trajédia quando um jovem americano tirou sua própria vida aos 17 anos, sendo seu Mustang amarelo a cor escolhida para as homenagens feitas a ele – portanto, Setembro Amarelo. Aqui no Brasil, para acrescentar às comemorações, temos um marco histórico, dia de nossa independência. Também comemora-se a paz, data instituída pela ONU para a não violência em todo o mundo, cujo objetivo não é apenas que as pessoas pensem na paz, mas que façam também algo em prol da paz.

E em setembro também comemora-se a valorosa data do mês dos surdos, que congrega tantas questões importantes para a comunidade surda – e aqui daria outra relevante matéria. Entretanto, em uma análise rápida, no mês das pessoas que vivem no silêncio e precisam se comunicar com o mundo, comemoramos também um ato que acontece no silêncio de um problema que vai no interno de um ser, que, por não conseguir se comunicar, não floresce, como em países que têm a primavera também neste mês.

 

Dessa forma, esta matéria vem unir essas datas conhecidas, e alguma outra que possa ter sido esquecida, para dizer que a VIDA precisa ser enaltecida em meio a “isso tudo” que vivemos. Faz-se necessário sentir, refletir, ponderar, respirar mais profundamente, falar, perceber o outro que não fala, plantar árvores, flores, horta orgânica – pode ser a caseira -; enfim, setembro parece grifar a SAUDAÇÃO À VIDA. Uma vida plena, uma vida que seja sabiamente vivida. 

Pressão econômica? Passamos sim, pandemia também, em todo o mundo. Porém que saibamos que mortalidade infantil tem finalmente redução em nosso país, notícia deste mês também! Então, como num “salve à vida”, que troquemos o Dia do Cliente pelo Dia do Consumo Consciente (que, inclusive, tem uma data) para que haja um exercício maior de sensibilização, e essa mesma vida, ao semelhante, ao planeta. Para que haja uma distribuição mais igualitária de condições de consumo, abolindo a mutilação de nosso meio ambiente, nossa casinha Terra, tão doce lar, em prol da disseminação de sementes de bem-estar. 

Mas, de fato, bem-estar é uma expressão que suscita inúmeras interpretações. Então fechemos os olhos. Se não der agora, tente mais tarde. Respire profundamente, por um minutinho que seja, concentrando-se em seu coração, a música que ele faz dentro de você; e nesse tempo, apenas observe seus pensamentos sem se deixar levar com eles. Se você foi com eles, volte, não se identifique, com tranquilidade e respire bem, não deixando que as vozes ou imagens na sua mente levem sua atenção consigo, até chegar a uma neutralidade quanto a elas, a indiferença de quem observa de fora – se não hoje, tente amanhã de novo. Ouvindo o seu interno, acalmado pela respiração tranquila e o batimento de seu coração, possivelmente você conseguirá pensar duas vezes com relação ao que consome e como consome; conseguirá desatar alguns nós de sufocamento emocional e, possivelmente, até conseguirá ter a empatia de entender alguém que antes não entendia. A isto chamamos de bem-estar.

Que muitos aspectos bons de setembros aconteçam em sua vida!

Texto: Tess Villa

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