Os mais lidos: literatura infantil

Vamos iniciar, em setembro, mês da primavera, com uma estante de referências de livros ou textos infantis, infantojuvenis ou simplesmente juvenis – vai da época de colheita dessas informações.

Como queremos uma leitura de mundo, podemos ter autores nacionais ou internacionais.

Vamos nesse mês de: Quase ninguém viu (Aline Abreu) e A natureza é divina (Marcelo Fernandes). O de Marcelo você vê na íntegra logo abaixo.

 

A natureza é divina.

 

Era manhã ensolarada naquele paraíso. O ar estava fresco após uma longa noite de perda de calor. A primavera já havia chegado. O Sol estava esquentando aquele horizonte que ia nascendo. Uma luz forte dava à natureza um tom de despertar. –Que lindo dia! Nunca vi tal beleza em meus olhos!

Neste mesmo momento, caminhavam dois anjos parecendo um pouco entusiasmados como se tivesse acontecido algo muito legal e um queria contar pro outro. Vinham eles lá, com suas aparências belas dando um toque especial na paisagem.

De repente, um dos anjos exclamou: -Que história eu conheci ontem!

O outro, curioso, disse: -O que foi que você viu?

O anjo contou:

-Ah, já quase à noitinha, vi uma mãe pássaro protegendo seu lindo ovo. Ela era tão grande e bonita! Tinha umas cores bonitas de penas. Começava com uma pena vermelha em cima e, conforme ia descendo, a cor se tornava alaranjada. Ela também tinha um bico forte como um gancho que quebrava tudo.

Naquele local tinha muitas árvores, de todo tipo: grandes, pequenas, verdes, roxas, rosadas… Faziam uma boa sombra fresca para os animais. Algumas árvores eram tão grandes que pareciam uma enorme parede. Uma boa variedade de plantas e animais formando um habitat natural muito rico de tanta vida.

Enquanto estava lá a mãe pássaro cuidando do seu ninho, com suspiros fortes apareceu um animal estranho de dentes bem grandes com passos bem devagarzinho, dando voltas ao redor daquele ninho.

A mãe pássaro sentiu um alerta e, logo, se armou para a luta. Abriu suas longas asas, se inclinou pra frente com muita coragem e deu um grito de guerra como quem diz: “Vai encarar? Então pode vir!” A mãe pássaro, como toda mãe, está sempre pronta para lutar pelo filho, é o instinto materno.

Os dois caíram pra briga, o animal feroz e a mãe pássaro. Ficou uma bagunça só: era rosnada pra todo lado, batiam entre as árvores, subiu uma fumaceira danada… aquela confusão. De repente, a mãe pássaro, já desgastada da luta, percebeu que havia rolado para longe do ninho e voltou correndo preocupada com sua cria sozinha. Ela, então, voltou correndo e deparou-se com seu ninho vazio. Apavorada, ficou lá paralisada olhando. Ela correu de um lado a outro desesperada procurando seu filhote.

-O que aconteceu? O que aconteceu?

Perguntou o outro anjo, curioso e continuou:

-Você ficou lá só olhando sem fazer nada? 

O anjo respondeu: -Calma, escuta a história.

Um homem ambicioso chegou de fininho aproveitando aquela oportunidade da confusão e pegou o ovo. Parecia um caçador maldoso, interferindo no ciclo natural dos animais. Pude até ouvir seus pensamentos dizendo assim:

“Finalmente, consegui conquistei o meu desejo. Agora vou levar o ovo e o farei minha relíquia, meu museu, minha história. Serei grande e viverei como rei, porque consegui o ovo mais procurado e extinto do mundo.”

Mas enquanto ele se vangloriava, um animal faminto deu um bote muito rápido e comeu o homem num instante. A mãe pássaro viu aquele movimento repentino e não perdeu tempo, deu uma carreira e pegou o ovo de volta pra levar pra um lugar seguro. Vendo que a poeira abaixou, deu suspirou profundo de vencedora. A Mãe Natureza lhe ajudou.

Essa foi a história que ouvi o anjo contar pro outro. Naquele exato segundo, não vi mais nada a partir disso. Os dois anjos começaram a sumir no horizonte. Mas ainda fiquei com uma frase na lembrança:

“Nunca devemos mexer com a Natureza! Ela é divina!”

Texto/autor: Marcelo Fernandes – outubro 2006

Facebook: @sonhosdefrancisco

Área de Atuação: Escritor e Contador de História

Arte gráfica e ilustração: @villaskohl e Studio Villas

Projeto Editorial: Tess Villa